Dearborn, Michigan - A norte-americana Ford Motor Co. anunciou hoje um amplo plano de reestruturação de acordo com o qual vai fechar cinco fábricas e eliminar quatro veículos. A montadora planeja vender US$ 1 bilhão em ativos em atividades secundárias e declarar encargos de reestruturação de US$ 4,1 bilhões. O executivo-chefe Bill Ford Jr. disse que a companhia subestimou a concorrência e as condições econômicas.
Além disso, a empresa vai cortar cerca de 35 mil postos de trabalho até 2005, sendo 22 mil deles somente em suas operações na América do Norte. Somente nos Estados Unidos, a reestruturação afetará cerca de 12 mil trabalhadores horistas.
A empresa pretende vender nove negócios, que totalizarão US$ 1 bilhão somente este ano. A empresa não quis exemplificar quais serão os negócios vendidos. Até a metade desta década, a companhia pretende reduzir sua capacidade produtiva na América do Norte de 5,7 bilhões para 4,8 milhões de unidades por ano. O objetivo é apresentar um lucro antes dos impostos de US$ 9 bilhões em 2005. No entanto, somente no quarto trimestre do ano passado, os custos com reestruturação chegaram a US$ 4,1 bilhões.
A expectativa da empresa para 2002 é terminar o ano muito próxima do equilíbrio financeiro, sendo que o primeiro trimestre será o mais difícil de todos.
Brasil
Para alcançar este resultado, a companhia anunciou o lançamento de 10 novos modelos até 2005, racionalização da produção e uma política agressiva de corte de custos, com maior flexibilização de suas linhas de montagem. O presidente da companhia destacou a recém-inaugurada fábrica da empresa no Complexo Industrial de Camaçari, na Bahia, como exemplo de modernidade a ser seguido. "Esta é a fábrica com menores custos em todo o mundo", afirmou Ford.
Ele destacou ainda que boa parte da produção do novo complexo brasileiro, que lançará o projeto Amazon a partir do segundo semestre deste ano, será exportada para fora da região, inclusive América do Norte e Europa. O objetivo da montadora é tornar todas as suas linhas de montagem nos EUA como as existentes em Camaçari, que permitem adaptações e mudanças com rapidez para, por exemplo, iniciar a produção de novos modelos.
Em relação ao Brasil, Ford destacou ainda as recentes parcerias estabelecidas na área financeira realizadas com Bradesco e Unibanco. A companhia poderá utilizar a experiência como exemplo para operações semelhantes nos EUA, Canadá, Europa e Ásia.
Ford acrescentou que a companhia já atravessou muitas crises na última centena de anos e ultrapassou todas elas. "Serão mudanças difíceis e, muitas vezes, dolorosas, mas vamos vencê-las", disse, ao lembrar que todo o processo de reestruturação está baseado em três elementos chave: produtos, marca e rede de distribuição.
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